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CONTOS

TENHA RESPEITO COM OS MORTOS
Numa madrugada quente de outubro de um ano qualquer, dois rapazes e três garotas estavam retornando de um baile por uma estrada arenosa e também muito deserta. Eles bebiam e riam muito, pois estavam felizes. Carregavam consigo uma ultima garrafa de vodca e volta e meia passavam a garrafa de mão em mão.
De repente eles aproximaram-se de um cemitério. Um dos rapazes para entreter um pouco a todos e incrementar o momento decide inventar uma historia arrepiante.
-Vocês sabiam que não se deve pisotear sobre um tumulo do por do sol?
- Por quê? – perguntou uma das meninas louca de medo.
- Dizem que se uma pessoa pisar no túmulo de alguém, o cadáver que paira sobre o tumulo a puxará pra baixo. – disse o rapaz estampando um sorriso irônico.
- Bobagem.  São apenas superstições tolas. – disse uma terceira moça que fumava sem parar.
Seu nome era Margarete. Ela odiava seu nome como também desprezava o resto do mundo. Era doce apenas com uma ou duas pessoas. Usava um vestido longo e preto típico de uma roqueira. Além do vestido ela usava jaqueta de couro com abotoaduras de prata. Já as outras moças presentes, usavam roupas habituais de patricinhas.

- Você não acredita? – perguntou o rapaz.
- Lógico que não. Tudo isso aí que tu está dizendo são bobagens. Depois que uma pessoa morre, não volta mais. - respondeu ela muito segura.
- Hum. Então vou te lançar um desafio. Aceita?- disse ele parando o veículo.
- Aceito sim eu não temo nada! – respondeu ela com alento.
- Ok. Bom. É o seguinte. Está vendo essa baioneta? –disse ele puxando a faca do exercito que estava na sua cintura.
- Nossa veio! Tu estavas armado? – exclamou o outro rapaz.
- Sempre ando armado. Nunca se sabe né! – disse o rapaz.
- o que estás pretendendo Carlos? – perguntou uma das garotas.
- Então. Quero que tu entre no cemitério e crave essa faca no solo em cima de uma sepultura. Depois volte aqui, pois estaremos te esperando. Depois retornaremos no local juntos pra se certificar que tu cumpriste o desafio. Se cumprir, lhe darei meu álbum “Bleach” do Nirvana. Fechado?  -Desafiou o rapaz.
- Lógico que sim! Eu amo o Nirvana. – respondeu sorrindo, pegando a baioneta das mãos do rapaz.
Em seguida ela respira fundo, lançando o cigarro ainda aceso no chão. Apagando-o com sua bota de cano curto médio. Ela olha para todos e acha engraçado por estarem lhe olhando com cara de preocupados. Em seguida entra no cemitério pelo portão baixo.
Todo mundo estava calado com a tamanha valentia de Margarete. Ao adentrar uns vinte metros ela teve uma impressão das piores possíveis para uma pessoa que nunca creu em algo sobrenatural. Mas ela foi tomada por uma sensação de ser observada por centenas de fotografias de mortos fixas nos túmulos, nas gavetas e nas capelas. Uma cerração pairava em volta das sepulturas, ficando de fora apenas às pontas das cruzes de concreto e as estátuas de anjos, que de anjos aqueles não passavam nenhum tipo de bem-estar. Ela foi à procura de alguma cova no chão. Caminhou cerca de dez minutos, até que finalmente vê algo que se parece uma sepultura, pois uma cruz encontrava-se cravada num ponta. Então ela se aproximou do mesmo pelo lado da cruz, e no meio da neblina abaixou-se. Estava muito escuro e de joelhos ela cravou a baioneta ate o cabo no solo, o chão estava um pouco macio. De repente, um sopro gelado atinge suas costas.  Permaneceu agachada por alguns segundos. Olhou para a cruz que estava a uns vinte centímetros da sua face. Ascendeu o isqueiro e se deparou com a fotografia de uma criança. Ficou pasma.
Tratava-se de uma menina de uns seis anos que havia sido sepultada bem ali de baixo dela. De repente ouviu uns risos distorcidos de uma criança às suas costas. Pela primeira vez em toda a sua vida ela havia ficado com medo.
Quis ir embora da li e se juntar aos seus amigos. Quando tenta se levantar algo a puxa para baixo com muita força fazendo-a cair. Ela congelou de pavor. Novamente tentou escapar gatinhando, mas aquela coisa a segurava.
- Alguma coisa tá me segurando! Socorro! Por favor! – gritou ela bem alto pedindo socorro.
Os risos continuaram em sua mente. Ela foi apanhada por uma sensação insuportável de terror.  Seu coração acelerou descontroladamente ate que parou de pulsar. E ela falece.
Seus amigos ouviram o seu apelo, mas chegaram tarde. Encontraram-na no chão já sem vida. Seus olhos estavam abertos e arregalados como se tivesse olhando para alguma coisa que tivesse provocado sua morte. Seu rosto tinha uma expressão bestial. Tentaram reanima-la, mas fracassaram.
E o mais embaraçoso era que o vestido dela estava preso na baioneta que estava cravada no solo. Ela havia cumprido sua missão.
Fim.




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