Faltavam dois dias pra chegar o natal de 2014. A noite
estava sombria e muito quente. Numa pequena casa de alvenaria a beira da
estrada geral em Praia Grande, uma via de chão batido, a mãe havia acabado de
lavar a roupa de seu filho adolescente e colocado num balde pra estender no
galpão mais depois, pois seu filho iria passar aquele natal com o pai. Ela por
tanto iria passar na casa de uma amiga pra não ficar sozinha. Por um lado ela encontrar-se
um pouco triste com a situação, mas não queria demonstrar ao filho. Porque não
queria estragar os planos dele de passar horas bacanas ao lado do pai que mal
via.
Ela produzia pé de moleques e cocadas e algumas vezes trufas
e vendia o dia inteiro na rua e só voltava pra casa quando já estava noite, e
ele a recém havia iniciado a trabalhar na colheita de maracujá pra um
agricultor em São João do Sul. Estava ele muito feliz por ter conseguido aquele
trabalho assim perto do natal. Pelo menos teria seu próprio dinheiro. Ela
estava orgulhosa do filho e tanto ela quanto o filho somente à noite lhes
sobravam um pouco de tempo pra fazer suas coisas. Ainda bem que ela havia
comprado com muito suor uma máquina de lavar que também possuía centrifuga.
Isso era muito útil e rápido pra eles.
De repente o celular da mulher toca. Ela atende, trata-se de
seu amigo de Porto Alegre. Durante sua conversa com o amigo ela comenta o que estava
fazendo e por meio de risos diz não levaria a roupa pra estender no galpão
porque lá ela já havia escutado ruídos estranhos. Então a missão seria
transferida para o filho já que o rapaz pedia muito pela roupa limpa. Seu filho
escutou a conversa sem querer e ficou um pouco bravo, mas como ele não
acreditava nessas superstições iria sem nenhum problema. Porém, como ele estava
em seu quarto no notebook iria mais tarde. A mulher e o amigo conversaram por quarenta
minutos e depois se despedem.
Em seguida avisa o filho pra que ele estendesse no galpão, pois
é o único local coberto que tinha varal e não pegava sereno. Em seguida ela vai
para seu quarto se deitar, pois já era mais de vinte e duas horas e tinha que
se acordar cedo.
Minutos depois o rapaz sai de seu quarto pra estender a
roupa. Como estava muito escuro à noite lá fora, o rapaz levou o celular junto
pra iluminar a trilha que dava para o galpão. Numa das mãos levava o balde e na
outra o celular ligado.
Minutos depois seu filho entra quarto à dentro da mãe com o
rosco branco de pavor. Ela ficou espantada com sua rapidez. Mas antes que ela
falasse alguma coisa ele articula ”Eu vi
uma coisa!”. Ela não entendeu direito e lhe perguntou: “O que tu viste meu filho?”. Mas ele
relutou em responder dizendo “Deixa
quieto Deixa quieto! Amanhã eu falo!”. Depois disso ele estendeu a roupa
ali mesmo na cozinha sobre as cadeiras da mesa.
Na manha seguinte, mais
calmo, o garoto durante o café lhe disse que assim que saiu pela porta dos
fundos da casa e seguiu pela trilha que dava para o galpão ao lado da casa de
sua avó, leva o maior susto ao ascender à lâmpada, ele fica dá de cara com um
velho, que estava sentado num tronco que servia de banco na propriedade. Ele era
corcova e muito magro. O pânico foi maior ainda quando esse velho volta o rosto
para ele. O guri escapa de lá muito depressa e trava a porta ao entrar em casa.
Depois de ouvir as declarações do filho, a mulher fica
completamente chocada, pois eram as mesmas características de seu avô falecido
a mais de vinte anos. Ele adorava aquela
parte da propriedade. O tal galpão.
Fim.
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