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segunda-feira, 6 de julho de 2015

UM LOBISOMEM NA ESTRADA GERAL


No inicio da madrugada de uma sexta feira de lua cheia, um rapaz que farreava com os amigos num bar como o de costume, nem havia se dado conta de que já passava da meia noite. Preocupado olha no relógio e então resolve se despedir dos amigos bodegueiros e apanha a sua bicicleta que está nos fundos do boteco para ir pra casa. Ele morava longe do centro de Praia Grande, rodeia cerca de uns seis quilômetros. Pela “Estrada Geral”, tinha que pedalar muito ate sua morada. Mas o rapaz estava um pouco embriagado por conta das pingas com os amigos durante as partidas de pife. A noite estava bastante clara por causa da lua cheia. E a estrada completamente solitária. Não passava um veículo sequer naquela noite. Ate aí tudo bem. Mas, olhando aquela luz suntuosa que o escoltava, de repente o rapaz passou a se lembrar dos causos de lobisomem que seu avô contava a beira do fogão a lenha nos tempos de quando era criança. Aquelas lembranças fizeram com que um frio invadisse sua coluna vertebral. Angustiado em chegar a sua casa de uma vez, passa a pedalar mais rápido.
Instantes depois atinge uma pastagem. E com a luminosidade da lua ele podia ver o rebanho remastigando o pasto e também alguns cavalos que pastavam bem próximo da cerca de arame farpado que fazia demarcação com a estrada. Isso nos dois lados da estrada.
A cena era sinistra, pois no momento em que o rapaz corria velozmente com sua bicicleta, de maneira estranha, aqueles animais pararam o que estavam fazendo para observá-lo. Era um episódio arrepiador como se espíritos malignos tivessem os possuído naquele minuto, colocando mais pânico no rapaz. 
Até que ao longe ele avista a ponte. Um pouco aliviado acaba reduzindo as pedaladas, pois já estava perto de casa. Mas ele vê algo que parecia ser um novilho sobre a mesma. Pensou que talvez tivesse escapado dos campos, o que era comum ocorrer nas imediações.
Porém, quando se beirou um pouco mais da ponte, ao acessá-la, no instante seguinte pode ver melhor o que achava ser um novilho, o animal estava reclinado ao lado da mureta da ponte, que servia de proteção. Percebera que não se tratava de um terneiro, e sim uma criatura sombria e lanosa com olhos vermelhos feito gato no escuro. Tecnicamente falando, tinha a aparência de um lobo com orelhas pontudas que se esfregavam uma na outra.
Essa criatura ao ver o rapaz levantou-se e ficou de pé. Sua altura era a de um grande urso-pardo. Seu rosno era idêntica de um. Sendo um animal feroz foi em seu rumo. Sobre a bicicleta o rapaz por sua vez correu desesperadamente pela estrada em direção a sua casa. Mesmo sendo uma bicicleta sem marchas, jamais em sua vida tinha corrido tanto com sua bike como correu naquela noite.  
Sem olhar pra trás pedalou, pedalou e pedalou ate que finalmente consegue chegar a sua casa. Apeia da bike e como se fosse derrubar a porta ele começa a bater e chamar por sua mulher.
- Madalena abre a porta! Abre a porta ligeiro!
Assim que ele a chama desesperadamente, ela abre a porta. Ao entrar aterrorizado de medo ele tranca tudo e olha pela fresta da janela. Como não viu nada decide contar tudo o que tinha acontecido com ele na estrada. Depois de falar tudo achou estranha a atitude de sua esposa que se pôs a rir dele. Ela disse a ele:
- Tu não viste nada. Foi apenas fruto da tua imaginação por causa do álcool. Vai tomar um banho e ir dormir.
Mais calmo ele foi tomar um banho, pois estava cheirando a suor e álcool. Depois do banho foi se deitar e ali do lado da esposa ficou quieto ate adormecer.
Na manha seguinte com ressaca, bebeu um copo de café preto, pois tinha trabalho naquele dia. Logo depois, pegou a bicicleta que havia deixado jogada no pátio e se pôs a pedalar rumo à cidade. Ao passar pela ponte onde viu o lobisomem, decidiu parar. Empurrando a bicicleta ele se aproxima do local. Arregalou os olhos ao deparar-se com ranhuras profundas e longas no piso da ponte feito por garras cerca de algumas horas. Apavorado com a confirmação da existência de lobisomens, ele passou a refletir de que das outras vezes que voltou de madrugada pra casa não viu nada porque não era lua cheia. Ele sabia que as noites seguintes ainda iria ter lua cheia e a noite anterior tinha sido a primeira noite dessa fase. 
 Espantado e surpreso, foi trabalhar mesmo assim, pois precisava daquele emprego. Decidiu não contar pra seus amigos o que havia lhe acontecido. Guardou só pra ele.
Às dezessete horas, sai do trabalho e decide ir direto pra casa. A noite chegou e lá estava ele de banho tomado e deitado em sua cama. Enquanto isso, sua esposa assiste à sua novela, a qual não perdia um capitulo sequer.
Durante a madrugada ele se acorda com uivo vindo de bem longe. Apavorado olha ao seu lado a sua esposa está dormindo num sono profundo. Preocupado ele corre ate as portas e janelas pra ver se estão bem trancadas. Depois volta pra cama e se cobre com o cobertor deixando apenas os olhos e o nariz pra fora.
No dia seguinte. Um domingo. Ele vai até um minimercado na comunidade pra compra um frango assado para o almoço.
Depois daquele domingo O rapaz nunca mais voltou tarde da cidade. Seus amigos sentiram muito a sua falta. Ele nunca havia dito a eles a razão de seu afastamento. Dois mais tarde o casal decide se mudar para o Chile por causa de trabalho.

Fim.

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