No inicio da madrugada de uma sexta feira de lua cheia, um
rapaz que farreava com os amigos num bar como o de costume, nem havia se dado
conta de que já passava da meia noite. Preocupado olha no relógio e então resolve
se despedir dos amigos bodegueiros e apanha a sua bicicleta que está nos fundos
do boteco para ir pra casa. Ele morava longe do centro de Praia Grande, rodeia cerca
de uns seis quilômetros. Pela “Estrada Geral”, tinha que pedalar muito ate sua morada.
Mas o rapaz estava um pouco embriagado por conta das pingas com os amigos
durante as partidas de pife. A noite estava bastante clara por causa da lua
cheia. E a estrada completamente solitária. Não passava um veículo sequer
naquela noite. Ate aí tudo bem. Mas, olhando aquela luz suntuosa que o
escoltava, de repente o rapaz passou a se lembrar dos causos de lobisomem que
seu avô contava a beira do fogão a lenha nos tempos de quando era criança. Aquelas
lembranças fizeram com que um frio invadisse sua coluna vertebral. Angustiado em
chegar a sua casa de uma vez, passa a pedalar mais rápido.
Instantes depois atinge uma pastagem. E com a luminosidade da
lua ele podia ver o rebanho remastigando o pasto e também alguns cavalos que pastavam
bem próximo da cerca de arame farpado que fazia demarcação com a estrada. Isso
nos dois lados da estrada.
A cena era sinistra, pois no momento em que o rapaz corria velozmente
com sua bicicleta, de maneira estranha, aqueles animais pararam o que estavam
fazendo para observá-lo. Era um episódio arrepiador como se espíritos malignos
tivessem os possuído naquele minuto, colocando mais pânico no rapaz.
Até que ao longe ele avista a ponte. Um pouco aliviado acaba reduzindo
as pedaladas, pois já estava perto de casa. Mas ele vê algo que parecia ser um novilho
sobre a mesma. Pensou que talvez tivesse escapado dos campos, o que era comum ocorrer
nas imediações.
Porém, quando se beirou um pouco mais da ponte, ao acessá-la,
no instante seguinte pode ver melhor o que achava ser um novilho, o animal estava
reclinado ao lado da mureta da ponte, que servia de proteção. Percebera que não
se tratava de um terneiro, e sim uma criatura sombria e lanosa com olhos
vermelhos feito gato no escuro. Tecnicamente falando, tinha a aparência de um lobo
com orelhas pontudas que se esfregavam uma na outra.
Essa criatura ao ver o rapaz levantou-se e ficou de pé. Sua
altura era a de um grande urso-pardo. Seu rosno era idêntica de um. Sendo um
animal feroz foi em seu rumo. Sobre a bicicleta o rapaz por sua vez correu desesperadamente
pela estrada em direção a sua casa. Mesmo sendo uma bicicleta sem marchas, jamais
em sua vida tinha corrido tanto com sua bike como correu naquela noite.
Sem olhar pra trás pedalou, pedalou e pedalou ate que
finalmente consegue chegar a sua casa. Apeia da bike e como se fosse derrubar a
porta ele começa a bater e chamar por sua mulher.
- Madalena abre a porta! Abre a porta ligeiro!
Assim que ele a chama desesperadamente, ela abre a porta. Ao entrar
aterrorizado de medo ele tranca tudo e olha pela fresta da janela. Como não viu
nada decide contar tudo o que tinha acontecido com ele na estrada. Depois de
falar tudo achou estranha a atitude de sua esposa que se pôs a rir dele. Ela
disse a ele:
- Tu não viste nada. Foi apenas fruto da tua imaginação por
causa do álcool. Vai tomar um banho e ir dormir.
Mais calmo ele foi tomar um banho, pois estava cheirando a suor
e álcool. Depois do banho foi se deitar e ali do lado da esposa ficou quieto
ate adormecer.
Na manha seguinte com ressaca, bebeu um copo de café preto,
pois tinha trabalho naquele dia. Logo depois, pegou a bicicleta que havia
deixado jogada no pátio e se pôs a pedalar rumo à cidade. Ao passar pela ponte
onde viu o lobisomem, decidiu parar. Empurrando a bicicleta ele se aproxima do local.
Arregalou os olhos ao deparar-se com ranhuras profundas e longas no piso da
ponte feito por garras cerca de algumas horas. Apavorado com a confirmação da
existência de lobisomens, ele passou a refletir de que das outras vezes que
voltou de madrugada pra casa não viu nada porque não era lua cheia. Ele sabia
que as noites seguintes ainda iria ter lua cheia e a noite anterior tinha sido
a primeira noite dessa fase.
Espantado e surpreso, foi
trabalhar mesmo assim, pois precisava daquele emprego. Decidiu não contar pra
seus amigos o que havia lhe acontecido. Guardou só pra ele.
Às dezessete horas, sai do trabalho e decide ir direto pra
casa. A noite chegou e lá estava ele de banho tomado e deitado em sua cama. Enquanto
isso, sua esposa assiste à sua novela, a qual não perdia um capitulo sequer.
Durante a madrugada ele se acorda com uivo vindo de bem longe.
Apavorado olha ao seu lado a sua esposa está dormindo num sono profundo.
Preocupado ele corre ate as portas e janelas pra ver se estão bem trancadas.
Depois volta pra cama e se cobre com o cobertor deixando apenas os olhos e o
nariz pra fora.
No dia seguinte. Um domingo. Ele vai até um minimercado na comunidade
pra compra um frango assado para o almoço.
Depois daquele domingo O rapaz nunca mais voltou tarde da
cidade. Seus amigos sentiram muito a sua falta. Ele nunca havia dito a eles a
razão de seu afastamento. Dois mais tarde o casal decide se mudar para o Chile por
causa de trabalho.
Fim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário