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segunda-feira, 6 de julho de 2015

O OURO SEM BRILHO

Numa certa manha de inverno, isso por volta de 1983, um homem ganancioso por si só depois de ficar sabendo que numa deliberada parte das terras de um conhecido seu, na epoca da guerra do contestado os jesuitas haviam escondido ouro. Doido pra procurar o tal ouro, decidiu alugar uma retro escavadeira . Depois de quase uma hora fazendo buracos aqui e ali naquelas terras finalmente ele havia descoberto algo que seria uma panela de argila. Após apanhar com a concha o tal objeto com todo o cuidado, o homem percebeu que era um pouco maior do que uma panela de pressão com cerca de quatro ou cinco quilos de peso.
Então, depois de descer da maqucom uma marreta, golpeou a parte de cima que parecia uma tampa. De repente veio um brilho indescritivel de dentro da panela! Era o ouro brilhando. Tratava-se de moedas, taças e joias que brilhavam lindamente ofuscando os olhos do homem que ate então nunca havia visto algo assim a não ser dos filmes de caça tesouros. Euforico olhou para todos os lados pra se certificar que estava sozinho ali. Colocou tudo dentro de um saco de lynon e levou para cima da cabina da retro e mais que depressa fechou os buracos de volta. Ele sabia que as terras não eram dele e poderia ter problemas com isso.
Depois de tapar tudo de volta ele não resistiu e abriu o saco para dar mais uma olhadinha naquele brilho lindo, que enleava os olhos e acelerava o seu coração. Depois que satisfez um pouco de sua curiosidade mais que depressa. Assim que isso aconteceu deu a partida na retro e foi embora pra casa as pressas.
Naquela tarde ele chegou em casa e escondeu aquele ouro bem escondido no paiol da propriedade para que ninguem de sua familia encontrasse. E em seguida seu filho o seguiu de carro enquanto ele dirigia a retro escavadeira ate a empresa de terra planagem devolve-la e certar a locação.

Quando voltaram de lá passaram num posto de gasolina para completar o tanque. Seu filho ate então não havia desconfiado de nada.  Mas percebeu que seu pai estava feliz demais. Mas achou normal.
Quando chegaram em casa, o homem deu algumas tarefas para seu filho e mais o outro filho, pois dessa forma ele ficaria sozinho já que sua esposa mal saía das tarefas da casa.
Ele se certificando que estava sozinho e seguro de não ser descoberto pegou o saco e levou ate o rio e ali resolveu lavar aquele ouro e se disfazer do resto do corpo da panela. Assim que aprontou tudo, o homem guardou  o tesouro num saco de lynon mais limpo e novo e levou para o porta malas do carro. Pra encobrir, aproveitou pra lavar o carro por fora. Se tratava de um Corcel II LDO 1.6, vermelho, ano 1980 e estava todo empoeirado. Ao chegar em casa pegou e enrolou um arame galvanizado na boca da bolsa de lynon e escondeu no forro do galpão. Decidiu então viajar na manha seguinte a fim de vende-lo na cidade de Porto Alegre. Durante o jantar ele disse que tinha que ir a Porto Alegre a negocio. Todos a volta da mesa ficaram surpresos com a noticia. Mas, nem quiseram entrar em detalhes, pois já sabiam que o homem não era muito de falar e sim de fazer.
Todos então depois do jantar foram dormir. Mas o homem passou a noite em claro. Sua noite foi pessima. Não havia dormido nada, pois fora perseguidos por pesadelos inesxplicaveis que envolviam ouro e guerras sangrentas.
Quando amanheceu ele já havia levantado da cama a muito tempo e já tinha ate mesmo levado o saco do ouro para o porta malas do Corcel e preparado um café para todos. Bebeu seu café e deixou um bilhete na cozinha avisando que tinha que ir logo mas que voltaria antes do anoitecer.
Ele então ainda de farol acesso saiu da propriedade em direção a estrada geral. Assim que atingiu a estrada geral, em questao de minutos atingiu a saída de Praia Grande, pela SC 405. Nessa altura  já havia amanhecido. Pode observar quepara os lados da serra, muitas nuvens e o prenúncio de chuva pesada. Da janela do veículo, podia ver o gado pastando e as garças calmamente procurando sua refeição.
Cerca de vinte minutos depois já havia passado por São João do sul e atingido a BR 101. Não levou muito e a chuva chegou, forte.
Aquele homem estava completamente euforico de felicidade, pois depois de vender ficaria milhonario. Poderia realizar os tantos sonhos que sempre teve. Conhecer os Estados Unidos, a Itália, a França e comprar mais terras, mas não ali, e sim no Uruguai. Encontrar-se paranoico. Andava a 110 km por hora com o carro, onde o limite era 80. Deixou um extenso fluxo de caminhões para trás. Só pôs combustivel quando chegou em Osorio no posto Ganso. Da li em diante a estrada ficou boa, a BR 290 também conhecida por “Free Way”, pouco movimentada e com uma bela paisagem.
Quando chegou em Porto Alegre por volta das dez e meia, na movimentada avenida Mauá, o motor do carro fervia. Acessou a rua Marechal Floriano, estacionando na Otávio Rocha. Ele conhecia bem aquela parte da cidade.  Ao desembarcar, pegou o saco de ouro no porta molas. Como não podia abrir em público aquele saco pra conferir se o ouro não tinha fugido, ele apalpou por fora mesmo e viu que as voltas de arame estavam do mesmo jeito que havia enrolado, satisfeito bateu o porta molas e seguiu assoviando feliz da vida ate a galeria do Rosario, na subida da Vigário José Inácio.  No terceiro andar ele foi atendido pelo dono do comercio. Depois de explicar o que vinhera fazer ali, sobre o balcão ele calcançou a mercadoria ao atendente que começou em sua frente a desenrolar a boca da bolsa. O comprador não fugiu da vista do homem. De repente quando finalmente ele are a bolsa ele arrega-la os olhos e pergunta:
- Mas o que é isso?
- Impressionante não é? – disse o homem com um largo sorriso nos labios.
-Isso é algum tipo de brincadeira meu senhor? – perguntou  o comerciante um tanto aborrecido.
- Não. Isso aí no saco é ouro puro! – respondeu o homem sem entender a reação do comerciante.
- Esse teu ouro tá sem brilho kkkkkk!- Disse o comerciante interpretando como uma brincadeira a situação.
Quando o homem olhou para dentro do saco, haviam pedras no lugar do ouro...

Fim.

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